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Estudo utiliza contação de histórias e atividades lúdicas para falar sobre morte e luto com crianças

Crédito da foto: Assessoria de imprensa

Atividade foi desenvolvida pelo Núcleo

Interdisciplinar de Pesquisa em Perdas e Luto da Escola de Enfermagem da USP em parceria com a Associação Viva e Deixe Viver possibilitando a compreensão e expressão de sentimentos sobre o tema


Morte e luto são dois assuntos bastante delicados para conversar com as crianças. No entanto, duas pesquisadoras do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa em Perdas e Luto, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), Regina Szylit e Isabella Navarro Silva, em parceria com a Associação Viva e deixe Viver, ONG que atua com contação de histórias para crianças e adolescentes hospitalizados, desenvolveram um estudo que utilizou o jogo de cartas “Eu Conto!”, um livro em forma de caixinha que facilita e incentiva a prática de contar histórias por meio de cartas, para desenvolver e estimular questões relacionadas ao tema com crianças de 7 a 10 anos de idade.


Por meio de oficinas lúdicas, realizadas de modo virtual e presencial, o estudo permitiu com que as crianças ao utilizarem o “Eu Conto!”, desenvolvido pela Viva e Deixe Viver, dialogassem sobre o tema, trazendo à tona o que elas entendem e sentem em relação à perda e ao luto vivenciados.


A atmosfera acolhedora e lúdica criada no decorrer e após a atividade foi segura e contribuiu para que as crianças pudessem compartilhar as próprias histórias com o grupo. Com isso, as crianças relataram perdas de familiares e animais de estimação e projetaram nas histórias construídas situações relacionadas à temática, como a saudade, a mudança na rotina, os rituais de despedida e até mesmo a convivência com familiares que apresentam distúrbios psiquiátricos.


Expressando opiniões e sentimentos - De acordo com o estudo, o jogo possibilitou que as crianças se expressassem livremente, compartilhando opiniões, sentimentos, questionamentos sobre assuntos variados e associação das histórias contadas com eventos experienciados em seu dia a dia.


“Durante as conversas, as crianças mencionaram experiências como a perda de um animal de estimação, a morte de um parente, a depressão de um familiar durante o tratamento de câncer ou até mesmo sobre como são realizados enterros. O resultado do estudo mostra que atividades lúdicas funcionam bem para falar de temas delicados, pois as crianças conseguiram expor as emoções e consequentemente, tiveram melhores habilidades comunicativas e menos medo sobre o assunto em questão”, destaca Isabella.


A análise de dados mostrou que as atividades lúdicas possibilitam a criação de relações seguras para a criança aprender, viabilizando condições de diálogo com ela, tornando-se estratégias potenciais para a comunicação durante o estudo. “Com o uso da criação e da contação de histórias, além de discorrer sobre as concepções, os significados e as emoções relacionadas à morte, as crianças também conseguiram expor as experiências relacionadas à morte e ao luto que já tiveram”, explica Regina.


Criar uma história em conjunto com a criança e conversar sobre as expressões e os significados atribuídos por ela aos elementos relacionados à morte torna-se um caminho valioso para desempenhar um cuidado centrado na criança e sua família. Ao conseguirem identificar e compreender o que pode influenciar no modo como a criança enfrenta a morte e o luto, os adultos podem ressignificar as ações que desempenham, em vista de melhor enfrentamento da situação e de melhor oferta de cuidado, defendem as pesquisadoras.


Para Valdir Cimino, fundador da Viva e Deixe Viver e criador do “Eu Conto!”, ter a utilização do jogo “Eu Conto!” contribuindo para uma atividade tão importante como essa é uma honra nestes 26 anos de atividade da associação. “O estudo desenvolvido pelas pesquisadoras mostra que o jogo extrapola a capacidade de criar e contar histórias e se firma como uma atividade lúdica de criatividade e cooperação ao abordar temas delicados, como a morte. Com o resultado, fica muito claro a sua utilização como um importante instrumento na formação de futuros adultos pensadores de seus contextos”, finaliza.


Dez anos criando histórias - Lançado em 2013, o “Eu Conto!”, criado por Cimino e ilustrado por Paulo Zilberman, é um livro em formato de caixinha com 103 cartas que são divididas em 21 cartas de personagens, 21 de ações, 20 de qualidades e 17 de lugares. Com ele, os jogadores pegam uma carta de cada um dos grupos e montam uma história combinando os elementos das cartas. O jogo permite que os jogadores soltem a imaginação e criem milhares de combinações possíveis.


Em seus dez anos de existência, o jogo extrapolou as cartas e foi parar no mundo digital. Por meio de um concurso digital promovido pela Viva e Deixe Viver, mais de 60 histórias criadas, utilizando o jogo, foram premiadas e doadas para a Associação. Essas histórias estão disponibilizadas no site: https://www.vivaedeixeviver.org.br/historias-do-eu-conto/


Sobre a Associação Viva e Deixe Viver: Fundada em 1997 pelo paulistano Valdir Cimino, a Associação Viva e Deixe Viver é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) pioneira em diversas frentes e políticas públicas. Por meio da arte de contar histórias, forma cidadãos conscientes da importância do acolhimento e de elevar o bem-estar coletivo, a partir de valores humanos como empatia, ética e afeto. A entidade também é referência em educação e cultura, por meio da promoção de atividades de ensino continuado. Nesse sentido, conta com o canal Viva e Eduque, espaço criado para a difusão cultural, educacional e gestão do bem-estar para toda a sociedade. Hoje, além dos 519 fazedores e contadores de histórias voluntários, que visitam regularmente 88 hospitais espalhados pelo Brasil, a Associação conta com o apoio das empresas Pfizer, Mahle, Volvo, UOL, Safran, Rede D’Or, Ache, CCS Tecnologia, Montana Química, Viveo, Daviso, Veneza Máquinas e Q Passos Alimentos.




Por assessoria de imprensa

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